Santana Lopes e Governos pequenos

Embora filiado e militante activo do PPD/PSD não sou “Santanista”. Sou inclusive critico dos seus inumeros exemplos de gestão pública das Camaras de Lisboa e Figueira da Foz. Não concordei obviamente que ele fosse a melhor opção do Partido Social Democrata para substituir Durão Barroso.

Aquando da indigitação, por parte do Conselho Nacional do PPD/PSD, de Santana Lopes para ser o nome do partido para ser nomeado, de acordo com a constituição, Primeiro-Ministro(e não, não estou a dizer que o Conselho Nacional do PPD/PSD nomeia os Primeiros-Ministros da nação, apenas o faz quando o Partido vence eleições legislativas.), Santana anunciou um Governo mais pequeno.

Confesso que a determinada altura tive esperança. Sá Carneiro também teve os seus momentos menos bons mas quando chegou a Primeiro-Ministro soube pôr o País acima do Partido e das suas ambições e vicios pessoais. E aguardei, que nem S. Tomé, o elenco governativo. Contas feitas são 19 Ministros, 38 Secretários de Estado e um sem numero de futuros “aspones”(brasileiro para “assessor de porra nenhuma“). Bem visto, o problema nem é o numero de Secretários de Estado, simples consequência do verdadeiro problema, o numero de Ministros. Será que não há consciência que 19 Ministros para um país como Portugal é Ministro a mais, e que tão grande numero só surge em virtude de clientelismos partidários e amizades?

Santana Lopes foi nomeado pelo Presidente da Republica Jorge Sampaio Primeiro-Ministro para garantir a estabilidade governativa do país, tendo em conta que a Assembleia ainda proporcionava uma solução estavel. Tal decisão tinha por detrás uma premissa tão básica que se resume ao facto de este Governo servir para dar continuidade ao anterior(quer se concorde ou não com a politica anterior, tal está fora de questão, e não puxem o argumento das Europeias onde 2/3 do povo português não se pronunciou!). Ao invés disso temos um governo que vai demorar pelo menos 3 a 6 meses a entrar em plena actividade pois mudou-se ministerios(desagregaram uns quantos, criaram outros, sem qualquer nexo racional)e colocaram-se pessoas em pastas sobre as quais nada percebem.

O Povo diz que “O que começa torto, tarde ou nunca se endireita”. O Povo diz isso e com razão. Este Governo começa mal e promete acabar ainda pior. Desejo, para o bem do País, que me engane!

PS: Peço desculpa pelo lapso. Durão Barroso já não é Durão Barroso mas sim José Manuel Barroso, hoje eleito Presidente da Comissão Europeia pelo Parlamento Europeu. Como as coisas mudam quando se muda de cargo.

Alas esquerdas

Noticiou-se hoje em definitivo a candidatura de Manuel Alegre ao cargo de secretário-geral do PS. Nas palavras do próprio a candidatura “é para ir até ao fim”. Esta candidatura espelha o descontentamento da ala esquerda do PS com o nome de José Socrates, candidato que descaracterizaria o PS “laico, republicano e socialista”.

O PS não para pois de me admirar. Ora senão vejamos…

Começa por apostar o tudo por tudo numa dissolução, para bem da democracia, ignorando a incoerência que tal seria para Jorge Sampaio. Ignoram, ou querem parecer ignorar, que nunca um presidente em perfeita sanidade mental iria entregar a responsabilidade governativa a um partido que namora a extrema-esquerda trotskista de Francisco Louçã.

Quando tal aposta falha, o secretario-geral cessante demite-se, em pose de “birra”, caracterizando o facto como derrota politica pessoal. Assiste-se a uma Ana Gomes no seu melhor estilo, exaltada como mandam os canones da “esquerda revolucionária” (alguém que a informe que tal esquerda está morta sff…).

Como se não fosse suficiente, apegados a uma formula gasta, recusando a viragem ao centro e à moderação, um grupo de ferristas(alguem me explica em que consiste o ferrismo, descontando o típico clientelismo partidário?) buscam a solução do PS numa figura fora de época. Não que eu não respeite Manuel Alegre. Dou-lhe o mérito que merece mas o seu tempo passou, o 25 de Abril já lá vai e a “geração de coimbra” está morta.

Termino com uma única questão aos socialistas por esse país fora:

É esta a solução política credivel de um partido com vocação de poder que dão ao País para o seu desenvolvimento?

Definições e orientações

Antes de começar qualquer reflexão julgo essencial que se defina antes as bases do qual essas reflexões surgem… ou seja, que se defina a minha orientação política, social e económica.
Antes demais sou um pragmático. Não acredito por isso em soluções ideais e utópicas, acredito em soluções práticas que produzam resultados visiveis.
Sou também um conservador liberal. Aparente paradoxo? Não, e passo a elaborar.
Acredito no liberalismo e na democracia. Não tenho tendências reaccionarias de regresso a acien regimes nem de regresso aos supostos “bons tempos” do “homem trabalha e a mulher fica em casa” e afins… Simplesmente não acredito na mudança por mudança. Se é para mudar, sendo um pragmático, que seja para lugar melhor. Se é para reformar que seja com sentido e objectivo, que se faça um balanço de prós e contras dessa mudança e que o balanço seja positivo. E, mais importante para mim, que a mudança seja efectuada de modo gradual, pacifico, ou seja, de modo não revolucionário. Não acredito nelas, as revoluções, considerando-as nocivas para o tecido social. Acredito em transições e reformas feitas de forma calma, racional e coerente.
Tenho pois uma visão um pouco organicista da sociedade, uma visão caracterizada pela convicçao que o social é um intricado pano de relações e contra relações de grupos que opondo-se ou aliando-se geram equilibrios. Tal visão sustenta a minha posição contra as revoluções, mas reservo tal reflexão sobre as mesmas para futuro post.
Considero-me um homem do centro politico, moderado e aberto. Sim acredito no centro politico, reformista por natureza, moderado por necessidade, congregando as diversas influências do centro-esquerda e centro-direita.
Economicamente sou muito proximo da visão neo-keynesiana do Estado regulador e corrector dos desiquilibrios da Economia. Acredito na intervenção do Estado onde ela se justifica, como por exemplo para por fim a monopólios. Acredito, como liberal, na necessidade de protecção social de modo a permitir a completa realização da pessoa humana. No entanto vejo como vector essencial à protecção social a responsabilização de quem dela depende. Identifico-me com a visão “Cada um trata de sí, o Estado trata de quem não pode”.
Vejo a necessidade de um Estado forte mas agil, não a maquina pesada e burocrática actual herdada de periodos de socialização por parte do Estado. Um Estado que regule mas não intervenha demasiado na vida privada e individual, um Estado que não tenha complexos de se associar ao sector privado para a resolução dos problemas, pois há coisas que o privado fará tão ou mais eficientemente que o Estado.
Sou economicamente europeista, politicamente euroceptico, pois considero que a Europa politica ainda não é possivel, muito menos no modelo actual. Não acredito na existência do “cidadão europeu”. Considero que tal termo nao passa de uma figura de estilo, nao existindo um “cidadão europeu” mas vários cidadãos das nações europeias. Como tal não concordo com a federalização da UE, nem com as “políticas do directório”.
Não concordo nem com uma visão puramente atlântista ou puramente europeista, considerando uma visão mais globalista, virada para as comunidades portuguesas no exterior, com um aumento da relevancia da CPLP no mundo como principal vector.

Considero que tal descrição será suficiente, senão mesmo para alguns massuda, e que atingi o meu objectivo:
Definir os meus pontos de partida ideológicos de modo a garantir uma melhor compreensão das minhas reflexões.

Despertar

Desperto tardiamente para o fenómeno do blog. Já há muito tempo que pensava em criar mas apenas hoje passei do pensamento à acção. Espero por este meio conseguir acrescentar algo de util aos debates crescentes na blogosfera, com um conjunto de análises e desabafos próprios de um jovem perto dos 20 anos altamente politizado e critico…

Nada mais tenho a acrescentar senão a esperança de qualquer aspirante a estas andanças, a esperança de ser lido e apreciado.