A eterna questão do modelo social sueco: Uma questão de cultura

O modelo social sueco permanece para muitos como o exemplo de como o Estado deve agir.

Com um sistema fiscal progressivo e altamente distributivo, garante a equidade entre os seus cidadãos. Fornece subsidios elevados aos seus desempregados, elevados subsidios de doença ou maternidade. Habitaçao estatal para os sem-abrigo. Ensino Superior gratuito. Saúde gratuita.

Continua a ser objecto de discordia entre politicos e economistas, como é visivel numa acesa discussão em Ordem nos economistas.

É também para muitos, como o nosso engenheiro de serviço, José Socrates, um modelo a seguir.

Eu até concordaria, não fosse o facto de o modelo sueco não ser importavel. A razão é simples, e prende-se com a matriz sociologica dum povo.

Qualquer economista pode com segurança afirmar, e tal o faz o filho de Olaf Palme, PM sueco assassinado em 1986, que um sistema em que se recebe mais por não trabalhar desincentiva ao trabalho. A unica razão pela qual esta regra falha deve-se ao elevado sentido de moral que o povo sueco tem, que faz com que uma Ministra se demita depois de ter comprado um Toblerone com um cartão de crédito do seu gabinete ministerial!

Estamos pertante um povo que confia na sua classe política e não passa pela cabeça da ultima trair essa confiança.

Trata-se pois de uma questão de cultura.

Eu sempre fui contra todas as formas de “social-paternalismo”. Sou contra soluções de “Mais Estado para corrigir desvios sociais” porque considero que as pessoas tendencialmente se tornam irresponsaveis. A razão é simples, mais liberdade acarreta mais responsabilidade.

Equidade e Liberdade têm um trade-off mutuo. Onde parar de limitar a segunda para garantir a primeira…?

Veja-se o Estado Novo, onde o Estado se encarregava do bem estar social, suprimindo toda e qualquer forma de liberdade individual em nome de um bem comum. O resultado é uma sociedade como a portuguesa, acefala, que depende demasiado do Estado e sem iniciativa própria, ou citando José Gil, Filosofo da UNL, na sua entrevista ao Público, “uma sociedade infantil sem individuos autonomos”.

Porque é que os suecos violam estas regras? Talvez pelo facto de terem passado pelas lições necessárias antes. Antes da subida, em 1933, do PSD sueco ao poder, a Suecia era um país profundamente liberal. Tal criou um sentimento de responsabilidade e civismo que o PSD teve o cuidado de manter. Um sentido de responsabilidade, proprio de um povo, que permitiu que patronatos e sindicatos acordassem a paz laboral, em troca de cedencias mutuas. E tal permitiu ao poder politico actuar.

O modelo sueco, mais do que um exemplo economico, é um exemplo sociologica de uma sociedade avançada e una.

É um questão de cultura.

PS: Outro grande factor a favor da Suécia é a sua estabilidade politica. A Suécia é governada quase ininterruptamente pelo PSD sueco desde 1933. Apenas um país demonstra esta mesma estabilidade: O japão, governado desde a decada de 50 pelo Partido Liberal Democrata, salvo um curto interregno em 1992.

PS2: Não confundir a tese anterior com as teses libertarias. Sou a favor da defesa da liberdade individual, mas não como um valor absoluto em sí mesmo. O Estado deve garantir alguma equidade, mas deve ter atenção ao trade-off, e aos seus efeitos sociais.

One thought on “A eterna questão do modelo social sueco: Uma questão de cultura

  1. mariodasilva diz:

    Belo exemplo, sim senhor🙂

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