Máxima politica

O poder não se ganha… Perde-se

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Eleições IV

Santana acaba de anunciar que irá pedir um congresso extraordinário. Assume a responsabilidade, não deixando no entanto de a “partilhar” com Durão Barroso e Jorge Sampaio.
Este anunciado congresso, teme-se, será um lavar de roupa suja, e espera-se que desse conclave saía uma clarificação ao País sobre quem somos e para onde queremos ir. Será no final do dia um julgamento politico.
No entanto, como eu temia, Santana Lopes não esclarece se irá ao congresso demitir-se, defender-se ou recandidatar-se.
Santana está, anunciadamente, morto politicamente, mas tenta, ao não clarificar a sua situação, condicionar esse mesmo congresso, numa última tentativa de sobrevivência.
Aguardemos os proximos episódios…

Eleições III

É com pesar que assisto Paulo Portas acabar de anunciar a decisão de se demitir do cargo de Presidente do CDS/PP.
Por muito que por diversas vezes não tenha estado de acordo com as posições por ele assumidas, e por muitas vezes critiquei a coligação, era necessário um partido que se assumisse em Portugal como de direita democrata-cristã. Paulo Portas conseguiu o que nunca ninguém achou possivel:
Transformar o “Partido do Taxi” num partido passivel de se coligar ao PSD, de governar, de apresentar propostas.
A bem ou a mal, Paulo Portas foi um bom Ministro da Defesa. A bem ou a mal foi ele que reformou as nossas Formas Armadas, as profissionalizou, as reequipou.
Podemos não estar de acordo com o seu ideario politico, e reafirmo que muitas vezes não estive, mas a verdade é que ele era uma peça necessária no parlamento.

Fez aquilo que se exige a um lider, assumiu a derrota política (e a sua derrota não é tão grande como por exemplo a derrota do PSD) e assumiu a responsabilidade pessoal dessa derrota.
Saí como um grande lider partidário, saí como um bom ministro numa pasta dificil, saí mostrando uma ética politica inigualavel na direita actual.

PS: Concordo com Paulo Portas numa questão:
Em nenhum país do mundo a diferença entre a democracia-cristã e o trotskismo é 1%.

Eleições II

Marques Mendes foi o primeiro dos “barões” a falar. Assumiu a derrota, apelou à união interna. Mostra assim a cara, face a um partido destroçado e desorientado. Mostra-se como candidato e potencial lider, que sabe assumir o fardo da derrota. E na mente do povo português foi ele que assumiu esse fardo.
Santana permanece calado, quando deveria ser o primeiro a dirigir-se à nação, perante tão expressiva mensagem. Perdeu o timing, e foi condicionado por Marques Mendes…
Santana deveria ser o primeiro a reconhecer o significado da mensagem:
Os portugueses não votaram no PS por quererem Socrates mais do que outro, votaram no PS porque não queriam que existisse a possibilidade de voltarem a ter Santana Lopes como Primeiro-Ministro. Foi um voto anti-Santana que se concentrou no PS.
Santana permanece calado, quando deveria ser o primeiro a admitir que já não terá condições politicas para governar o PSD.
Santana permanece calado, enquanto outros assumem o fardo que é dele… o fardo duma derrota que ficará na história de Portugal.

Eleições

A confirmarem-se os resultados(escrevo quando estão apuradas cerca de um quinto das freguesias do País) fez-se história eleitoral em Portugal.
Por um lado temos uma derrota histórica do PSD(que pode ficar abaixo do seu resultado das Contituintes, Mota Pinto ou Fernando Nogueira), que exige uma clara reflexão interna. Todos podemos prever como irá o PSD reagir, pedindo um congresso extraordinário, cruxificando Santana Lopes e Durão Barroso.
Santana está politicamente morto, jogou o “tudo ou nada” e perdeu. Só tem uma saida, demitir-se e ir a congresso (tentar) defender-se. Os barões irão lavar a roupa suja acumulada durante 3 anos. Surge a questão se disso emergirá uma solução.
Por outro lado temos, pela primeira vez na nossa história, a passagem dum partido da oposição directamente para uma maioria absoluta. Muitos dirão que o mérito é do eng. Socrates e do Partido Socialista, mas a verdade é que o povo português acaba de passar um cheque em branco a um conjunto de governantes que já mostraram o que sabem(ou nao sabem) fazer. O eng. Socrates nada teve de fazer, o PSD fez por ele. O PS tem uma maioria absoluta não por ter as melhores ideias, pois ninguém viu um verdadeiro debate de ideias, mas pela forma como o PSD governou o País. Assistimos a um secretário-geral do PS que numa pose arrogante nada disse, sabendo que nada tinha de dizer para ganhar.
Veremos se o eng. Socrates consegue assumir a enorme responsabilidade que tem em mãos. Ele tem neste momento o poder para fazer as reformas que o País real necessita, a questão é se o PS as quererá fazer. Não me parece.
Sampaio sai deste quadro como o homem que enquanto Presidente retirou uma maioria a um partido para entregar essa maioria ao seu próprio partido.
Vamos ver que governo reunirá o eng. Socrates. Vamos esperar para ver…