Falha de mercado

Um exemplo classico que se utiliza para caracterizar o mercado e os seus equilibros é a analogia da fila do supermercado. Diz a teoria que elas se equilibram automaticamente devido à racionalidade dos agentes envolvidos.

No outro dia verifiquei este exemplo.

Eram duas filas, uma com 15 pessoas à espera, outra com apenas 2. Claramente, segundo a teoria, elas deveriam estar a reequilibrar-se mas tal não acontecia.

O porquê era explicado por uma assimetria de informação: Uma prateleira de produtos estava entre as duas filas para a caixa. As pessoas na fila mais longa desconheciam a existencia da outra fila mais pequena, e não equilibravam.

Pode argumentar-se que se a prateleira não estivesse no meio, as filas seriam iguais. Tal está correcto, mas dado que ainda não existe nenhuma lei que imponha prateleiras entre as filas, então a decisão de a colocar lá dependeu unicamente da empresa que gere o supermercado, que agindo racionalmente e portanto optimizando custos e lucros, decidiu ali colocar a prateleira.

O mercado estava em pleno funcionamento, e o optimo da situação não era eficiente.

Tal atitude da empresa, não faz grande sentido se ela estiver a optimizar:

Menos tempo perdido na caixa = mais satisfação do cliente(maiores lucros potenciais) + menos tempo perdido(menores custos variaveis).

A razão para a existencia da prateleira é então de outra natureza.

Note-se então o argumento, epistemologico, da questão: Se os agentes não forem racionais e portanto optimizadores, podem-se criar assimetrias de informação que deitam por terra o equilibro geral. As leis de Walras falham perante tais assimetrias.

Neste momento estão os fãs da Microeconomia aos gritos:

Pois mas se leres bem os teus livros de curso lês que esses equilibrios se verificam se verificadas utilidades marginais decrescentes, convexas, não saciaveis, comportamento optimizador e a não existencia de externalidades, etc.

Pois bem, este argumento faz-me recordar uma piada contada por uma Professora minha sobre um economista numa ilha deserta na companhia de um amigo e de uma lata de conserva mas sem abre latas. Quando colocado a questão de como abrir a lata ele replica: “Na eventualidade de termos um abre-latas…”

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