Direita, Esquerda e a eterna questão da igualdade…

Muito se discute sobre quais as reais diferenças entre a Direita e a Esquerda.
É no entanto um tópico de dificil debate em Portugal, devidos aos “traumas” e rótulos que se colam à Direita. Conservadores? talvez… fascistas? alguns mas decerto uma minoria… liberais? Decerto que sim, em maior ou menor grau.
Para mim a grande distinção é a velha questão do manto da igualdade social.
Que todos devemos ter igualdade nas oportunidades, e igualdade de tratamento perante a lei é unânime (para a larga maioria dos politicos pelo menos). No entanto até onde deve o Estado utilizar o seu monopólio do uso da força coerciva para tal fim?
Para mim, o Estado deve apenas garantir que todos têm a formação necessária para obter capacidades de satisfação dos seus objectivos. A garantia deve ser a de que ninguém terá menos oportunidades por ter nascido em cidade X ou Y, em familia A ou B, com mais ou menos rendimentos. Tudo o que venha acima disso é distorcivo. Porquê? Veja-se a seguinte analogia.
Quem acompanhe atletismo repara numa coisa curiosa. Na linha de partida os corredores não se encontram lado a lado mas sim ligeiramente espaçados, numa diagonal. Os estudantes de geometria facilmente percebem porquê. Partindo os corredores de uma curva, os corredores nas pistas exteriores teriam de percorrer uma maior distancia que os corredores das pistas interiores, caso estivessem todos lado a lado. Daí que um terceiro agente tenha decidido colocar os corredores das pistas interiores mais atrás dos corredoras das pistas exteriores. Igualdade de oportunidades.
Agora imagine-se que no decorrer da corrida, em que conta apenas o mérito do corredor, o terceiro agente decidia que não era justo que o primeiro classificado estivesse com uma vantagem de 20 metros em relação aos outros. Ou que o ultimo classificado estivesse a 20 metros do seu colega imediatamente à frente. E a par dessa decisão, decidia forçar os corredores nas primeiras classificações a abrandar, ou mesmo penaliza-los em tempo em função do seu distanciamento. Temos de admitir que tal se afigurava como injusto.
Chame-se ao terceiro agente de Estado, e tome-se os corredores por individuos. Garantindo igualdade de oportunidades (linha de partida alterada) que direito tem o Estado de a meio da “corrida” alterar a posição dos individuos por considerar que essa posição, alcançada por merito próprio, é socialmente injusta?
Embora algo parcimoniosa, a analogia dá que pensar. O manto da igualdade deve ser vestido com cuidado, pois pode tornar-se uma referência perante a qual toda a sociedade é rebaixada a um nivel médio.

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