teorias financeiras…

A verdade é que a análise fundamental e a análise técnica divergem num factor teórico “fundamental”(passo o pleunasmo): movimento browniano geométrico.

Passo a tentar explicar, para os “não economistas”:
Imaginem um bebado a percorrer uma rua. Obviamente que o rapaz não consegue fazer uma linha recta, e vai circulando entre o passeio esquerdo e o passeio direito. E como está bebado, decide escolher o passeio com base no lançar duma moeda (bebedeiras dão nestas coisas): se sair coroa ele vai para o passeio esquerdo, se sair cara ele vai para o passeio direito. Ora a probabilidade de sair cara ou coroa, como se sabe, é 50 por cento para cada lado. Ou seja é igualmente provável que ele oscile para a esquerda ou para a direita.

Ora este exercicio simples, quando posto num grafico e analisado matemáticamente tem caracteristicas interessantes:
1. Os movimentos para a esquerda e para a direita são independentes, ou seja, estamos na presença do que se chama uma cadeia de Markov – o passado não afecta o presente;
2. No limite, a distribuição dos resultados é a curva de Gauss, com média e variancia finitas.

Ora tudo junto isto dá ao que chamamos o movimento browniano geométrico, e é com isto que os economistas modelam o mercado e é a base da hipotese dos mercados eficientes, seja qual a forma que escolham (temos a fraca, a forte e a muito forte – para todos os gostos). Dai a posição da análise fundamental: Market timming é tão útil como lançar uma moeda ao ar e escolher compra/venda consoante se tenha cara/coroa – tal como o bebado escolhe esquerda ou direita. O que interessa são os fundamentais: se o plano é bom, a gestão é boa e a empresa é solida, então irá criar valor e isso ir-se-á reflectir no longo prazo. E, mais importante, dado que o mercado é gaussiano, a probabilidade de perda ao investir em acções é quase nula e a rendibilidade tende para a média – efeitos do famigerado Teorema do Limite Central.

Todavia, a análise técnica viola o principio base do movimento que os economistas usam para modelar o mercado: os vários niveis de preços NÂO são independentes. Dai o analista técnico tentar extrair informação com base no passado por meio de indicadores. A não independencia também causa que eu posso escolher o “momento de entrada” e que não é igual a lançar uma moeda ao ar, ou seja, uma entrada aleatória. De acordo com as premissas base, padrões passados tendem a repetir-se, tendencias tendem a perpetuar-se – ou seja movimento persistente de Hurst, e não, como preveria as bases estatisticas da análise fundamental, reversivo à média.

Bem, e como o post já vai longo (e peço dsk por isso), por aqui me fico, embora se pudesse continuar a “dissertar” sobre a “anormalidade dos mercados” – estilo eventos que a curva diz só ocorrem de 10mil em 10mil anos acontecerem 3 dias seguidos em Agosto.

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