Patinagem pouco artistica

Para hoje, deixo aqui o pensamento sobre a mania dos Bancos Centrais de tentar “martelar” câmbios. Reza a história que o resultado não costuma ser muito bom.

Vejamos um pouco de história. Comecemos por 1929. Na década de 20, para quem não se lembra, a Europa tinha saído da Primeira Guerra Mundial e a potência da altura, o Reino Unido, estava com alguns problemas financeiros. Numa tentativa de restablecer o poder da Libra o Governo britanico regressou ao padrão ouro – com as objecções de um conhecido economista chamado John Keynes. A Fed, criada à muito pouco tempo, e por isso inexperiente, acedeu ao pedido do BoE: suportar a política britânica de uma Libra forte. Problema técnico: na altura o UK corria um enorme deficit comercial perante o maior credor do mundo – com grandes taxas de poupança – os EUA, que tinham um enorme excedente da dita balança comercial. Ditam os canones da política monetária que, perante deficits de balança comercial os câmbios dos devedores devem descer, não ser sustentados como “moedas fortes”. Escusado será relembrar como a economia, esse “bicho mau”, decidiu tratar do desiquilibrio.

Fast forward – os 80’s. Grande década – boa música, algumas boas invenções pelo caminho. Também foi uma década de estagnação. Os EUA estavam com a política do “dólar forte”, a correr um enorme deficit comercial e o grande “papão” do momento, e credor do mundo, era o Japão. Tal como os EUA fizeram 50 anos antes, o BoJ apoiou a política do “dólar forte” – ou talvez a politica do “yene fraco” para aumentar aas exportações – contrário ao que devia acontecer pela força do mercado dadas as balanças comerciais dos dois países. Escusado será também lembrar o que aconteceu à bolsa, e à economia americana, com essa brincadeira. A única diferença foi que não foi um “crash global” como 29.

Agora o pensamento para o dia de hoje: Troquem o Japão pela China. Juntem-lhe uma bolha de liquidez criada por poupança excessiva na China, um banco central chinês inexperiente teimoso em não deixar a moeda avaliar – à semelhança do BoJ – e um Tresury americano teimoso no “dólar forte”. Juntem um BoJ apoiante dum “dólar forte” de modo a criar um “yene fraco”. Quanto mais tempo deixarmos que estes desajustes não sejam corrigidos pela via cambial, e portanto que os respectivos Bancos Centrais deixem de brincar no mercado câmbial, maior o impacto do ajuste. Isto não é “alta teoria monetária”. Isto já aconteceu por duas vezes no século passado e as consequências foram sempre as mesmas…

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