Mas afinal… não cai?

Hoje sairam os dados do emprego norte-americano: Non Farm Payrolls (NFP) de -158 mil empregos (perdidos). As NFP não levaram o dólar a afundar, causando alguns a pensar que se calhar o Euro é que está mal. Esta visão pode ser enganadora, porque temos neste momento 3 forças dominantes a operar no Dólar (USD):

1. Uma das consequências da desalavancagem é que os americanos (particulares, empresas e bancos) estão a retirar os seus investimentos de outros países de novo para os EUA. Isso constatasse bem em 2 factores:

a) As moedas de Emerging Markets (EM) estão com prémios de aversão ao risco altos, vistos apenas em “fugas de capital” de novo para “casa”;

b) o desempenho dos EM tem sido pior que do S&P500, durante os últimos meses. Quando se retira dinheiro de um país de moeda estrangeira, vendesse essa moeda e comprasse a moeda de origem – neste caso o USD;

2. Suporte de outros Bancos Centrais. Desde o inicio desta crise – e com maior intensidade em 2008 – os bancos centrais à volta do mundo (BCE incluido) têm financiado e suportado o dólar (chegando ao ponto de, em agregado, compensarem a fuga de capital estrangeiro para fora dos EUA, cobrindo a diferença para financiar o deficit externo dos EUA). Isto cria uma “almofada” no USD, em cima do movimento anterior de retorno de investimentos a casa;

3. As moedas mexem muito com base em diferenciais de taxas de juro (é por isto que devem ver gráficos com horizonte temporal mais longo – diários ou semanais – senão é ruído a mais). A lógica é simples: quer seja carry trade (vender moeda com taxa de juro baixa, comprar a moeda com a taxa de juro alta e ficar com a diferença), quer seja transacções normais de cobertura de risco (por exemplo, exportadores) o custo varia com o diferencial de taxa de juro.

O que está a acontecer é o seguinte: a politica monetária norte-americana neste momento está “bloqueada” (armadilha da liquidez), e as taxas de juro de curto prazo explodiram. Por muito que a Reserva Federal diga que quer a taxa a 2 por cento, a taxa para fazer as contas é a Libor, que está “presa” entre os 4 e os 6 por cento (enquanto a euribor está entre os 4 e os 5 por cento). Logo o diferencial real deixa de ser a taxa directora da Fed (a libor normalmente segue esta taxa, conhecida como Fed Funds) – euribor (até agora, conta a favor do Euro), mas passa a ser libor “esticada” – euribor (e aqui, a favor dos USA, pois a taxa deles pura e simplesmente explodiu quando o mercado de papel comercial parou).

Ou seja, o Euro está “preçar” a diferença, descendo. Se isto é racional ou não – ou seja, assumir que as taxas de curto prazo ficam “presas” nos EUA – já é outra questão, dado que o main theme aqui não é “preço racional” mas sim pura “aversão a risco”…

No meio disto tudo, as NFP (-158 vs -105 expected) são uma gota numa história já batida…

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