Casamento homossexual, fracturas e igualdades

Entrou para a ordem do dia mais um tema “fracturante”: Legalização dos casamentos homossexuais.

Vamos abstrair-mo-nos de dois factos. Primeiro, que o tema é lançado por puro jogo político – é mais interessante discutir o casamento “gay” do que o estado deplorável do nosso Estado – e segundo, que é preciso algum cuidado quando se lançam estes temas. Estamos numa altura, na história do país, em que se precisa de um país únido para os desafios que se avizinham. Fracturar a sociedade com esta discussão poderá não ser o melhor… 

Mas, dado que ninguém se cala com este assunto, decidi dar o meu [pequeno] contributo: sou contra. “Mas tu votaste a favor do Aborto, como podes ser contra os casamentos homossexuais?”, perguntará quem me conhece pessoalmente. Eu não votei a favor do aborto, votei contra o direito do Estado de legislar sobre essa matéria, uma matéria que é da responsabilidade ética e moral dos país, em especial da Mãe. A minha questão com o Casamento Homossexual é diferente no entanto.

O Casamento é uma instituição pré-Estado e extra-Estado, em primeiro lugar! Nasce muito antes de nós, ocidentais, termos Estados centralizados e organizados com leis codificadas. É uma instituição definida pela sociedade, enquanto “corpo”, e, por maioria de razão, só deveria ser por esta alterado, e não pela “conveniente” mão do Estado. Mas este nem é o meu maior problema. O meu maior problema é a principal argumentação a favor: Somos uma República Democrática com igualdade de direitos e ninguém pode ser descriminado pela sua orientação sexual.

Isto é um argumento perigoso. Muito perigoso. Porque, se eu admito legalizar o casamento homossexual com base nesse argumento, i.e., o casamento é uma união entre duas pessoas que se amam, independentemente do seu sexo, o que me impede de legalizar, por consequência lógica, a poligamia e o incesto?

Antes de me acusarem de “gajo de direita radical” – sou Liberal Conservador, mas não sou Católico, por isso dispensem o argumento “A culpa é da Igreja” – pensem um pouco no argumento: duas pessoas com laços de consanguinidade estão proíbidas de se casarem. Porquê? Porque a sua prole herdará uma “base genética” que poderá revelar-se anómala. Estamos a descriminar? Bem, em abono da verdade, sim. Estamos a descriminar duas pessoas que se amam. Também estamos a proibir este tipo de casamento com base na consequência e objectivo desse acto – criação de familia. Devemos legaliza-lo? Não! É um facto: familias que partilham a mesma base genética, fruto de casamentos consanguineos, são propensas a anomalias e doenças genéticas.

“Isso não tem nada a ver com casamento homossexual”. Não? O argumento é o mesmo: não descriminação por orientação sexual. Se duas pessoas do mesmo sexo se amam, devem poder casar. Se dois irmãos se amam, devem poder casar. Vêem como foi simples? Aceitar o Casamento Homossexual, e a consequente destruição da instituição tradicional do casamento, é aceitar um mar de novas excepções. Incesto por um lado, Poligamia pelo outro. Excepções que eu não estou preparado, nem tenho qualquer intenção, de fazer.

Há alturas em que a igualdade não se aplica. Trate-se de modo diferente o que é diferente. Um filho de um casal homossexual terá uma infância normal? Peço desculpa a todos os homossexuais que possam ler isto: não. É psicologia 101. Nós temos como ideal do que queremos ser, um dos progenitores, e como ideal do que queremos “ter”/amar o outro progenitor. E, homossexualidade não é um comportamento típico do Homem, enquanto especie: apenas 2% da população mundial é homossexual. Tal como é Biologia 101 que é mau termos dois irmãos a ter filhos. Desgasta a base genética, e produz doenças hereditárias. Trate-se de forma diferente o que é diferente, sff!

2 thoughts on “Casamento homossexual, fracturas e igualdades

  1. CarLoS diz:

    Panen et circenses. Pão e circo. O povo aceita estes entretenimentos e até vota nos foguetes. Entretanto a classe média desapareceu (está na fila do banco alimentar), o emprego evaporou-se, e os do costume acotovelam-se para manter o seu lugar à mesa do orçamento.

    Mas, já agora, deixe-me dizer que o Estado não está fora da questão do aborto, como parece acreditar. O estado tolera que continuem os abortos clandestinos (um ou outro caso mais escandaloso, fecha com honras de Tv, mas isso é poeira), o Estado mantém os casais com filhos, e as grávidas, em situação de penúria desproproporcional aos gastos que faz com o aborto e sequelas; mantém congeladas vacinas (a ‘prevenar’) para crianças, mas tem dinheiro para a cara e pouco eficiente fertilização in vitro; a famosa “consulta de aconselhamento” prévia ao aborto está em fase virtual (pergunte a quem lá trabalha …), as ecografias feitas para datar o feto a abortar nunca são mostradas às grávidas (parece que há o risco de se arrependerem…);paga subsídio a 100% de 30 dias a uma mulher que engole as pastilhas do aborto químico, mas já não o faz à grávida operária; ignora as mulheres que são coagidas a abortar para não perderem o emprego, etc. A realidade é a coisa mais chata que eu conheço, e o Estado não é propriamente sensível à realidade, como se vê pelo sarilho real em que estamos;-)

  2. Rafaela Moreira diz:

    Ainda bem que cada individuo tem a sua capacidade racional de ter pontos de vistas diferentes. Sobre este assunto, nao se pode atribuir uma verdade unica e parametros que devam ser seguidos, visto que partimos apenas de perspectivas. O fato é que por mais que julguemos nao sermos preconceituosos, esse vicio esta enrraigado em nós por natureza. Agora faço-lhes uma pergunta: Se os Direitos Humanos sao meramente iguais, independente de raça, cor, etnia e Orientaçao Sexual, e baseado nisso é justa e valida toda forma de amor, porque nao legalizar o casamento homossexual??
    Usar como argumento o fato de que dois irmaos nao podem se casar, realmente, é convincente exatamente porque envolve questionamentos, nao pelo casal em si, mas pela atitude do casal. Porem, é um tanto quanto um artificio- belo artificio- para inibir o proprio preconceito.

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