E que tal irem gozar com o dinheiro dos outros? (III)

A saga continua… Marcelo Rebelo de Sousa referiu que “A Caixa Geral de Depósitos deve explicações”, mas tentou desculpar o negócio com a “importância da participação da Cimpor”.

Vamos acentar aqui uma coisa: a única desculpa para o negócio é manipulação política. É que, realmente, a memória é curta. Já nos esquecemos para que é que Manuel Fino pediu o capital emprestado para comprar as acções? Já? Eu relembro: luta de poder no BCP.

Quando estava para ser decidido quem seria o próximo presidente do maior banco privado português – o BCP – um nucleo duro de investidores apoiou Santos Ferreira para esse cargo. So far so good… não fosse o facto de Santos Ferreira ser o antigo presidente da CGD, tendo-se demitido para exercer as funções de presidente do BCP. Na altura, os accionistas estavam em clima de “guerra aberta”, e foi a presença de um determinado “núcleo duro” que garantiu a posterior “unanimidade” [não confundir com unanimismo – isso é uma corrente literária!] da sua eleição.

E quem eram os membros desse núcleo duro? Joe Berardo, a família Moniz da Maia (Sogema), Manuel Fino, Pedro Teixeira Duarte e José Goes Ferreira, dois dos quais foram os proponentes do nome de Santos Ferreira. E quem foi o banco que os financiou? Advinharam: CGD, num valor total de 500 milhões de euros, só em 2007. 

Ver agora essa mesma CGD a fazer este negócio com Manuel Fino, não têm outra justificação senão “pagamento de favor”. Correu mal, em termos de garantia bancária e, há conta do contruinte vem uma esmola.

E sim, é à conta do contribuinte! O accionista único é o Estado, e é o accionista único que leva com a responsabilidade de cobrir “actos de má gestão”. E quem paga as continhas ao Estado?

E que contas são estas? Muito simples: Manuel Fino entregou 64 milhões de acções da Cimpor. O preço de “compra” oferecido pela CGD foi 4,74 euros por acção, quando as acções transaccionavam a 3,79 euros. Não é complicado fazer a conta: o Estado pagou 60,8 milhões a mais pelas acções. Hoje, estão a cotar a 3,19 euros por acção. Tal quer dizer que, a preços de hoje, o Estado – ou melhor, o contribuinte – acabou de entregar a Manuel Fino uma mais valia financeira de 99,2 Milhões de euros. Em troca de quê, meus senhores?

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