A questão é a concentração…!

Nas minhas rondas pela “blogosfera” – lá fora – tenho encontrado, por repetidas vezes, um argumento contra qualquer plano que implique a solução “Good Bank/Bad Bank”: existem imensos bancos nos EUA e, segue o argumento, impossivel do ponto de vista prático, nacionaliza-los a todos. Traduzindo, o sector financeiro sueco [o modelo] era pequeno, ao contrário do americano que é enorme.

Na realidade, parte do argumento está correcto: existem imensos bancos nos EUA. Contas redondas, cerca de 10 mil bancos registados na Reserva Federal dos Estados Unidos. Mas não é preciso salvar todos. E aqui reside a falha lógica do argumento: salvar o sistema financeiro não é igual a salvar (todos) os bancos.

É preciso ter noção do quão concentrado é o sistema bancário norte-americano, pois 10 mil bancos não é sinónimo de desconcentração. Nos EUA existem 5,5 biliões de dólares em depósitos na Banca Comercial. Os 10 maiores bancos dos EUA – Bank of America, Citigroup, … – detém quase 2,5 biliões de dólares em depósitos. Posto em perspectiva: 0.1 por cento do sector detém 45 por cento de todos os depósitos. Isto é uma enorme concentração.

É por isto que o mercado está tão “nervoso”. Este “Top10” têm mais algo em comum, além de tamanho: estão quase todos ligados às maquinas com garantias bancárias e liquidez providênciada pela Reserva Federal, pois eram os maiores players na securitização e são agora os mais susceptiveis de ir à falência. Se este “Top10” abre falência, temos quase metade dos depósitos do sistema a terem de ser garantidos pelo balanço do Governo Norte-Americano. Ou seja, este “Top10” é grande demais, i.e., sistémico. Mas as garantias têm efeitos preversos. Por muito saudáveis que sejam os bancos mais pequenos, não têm acesso a financiamento. A razão é simples: onde preferem comprar obrigações? Num banco regional pequeno, ou num gigante garantido pelo Estado Federal? Mas, se a liquidez secar nos banocs mais pequenos, estes tornam-se insolventes. Banca é um negócio, por definição, alavancado, e dependente da liquidez no mercado. Falta de liquidez pode tornar um banco saúdavel num banco falido, do dia para a noite.

Por isso, o que se tem de fazer, é retirar da equação este risco [que está a assustar os investidores e causa dúvida. E em finanças, dúvida mata!]. Não são 10 mil bancos que têm de ser agarrados, são 10. O Top10, para ser exacto. E não é comprando os activos tóxicos a preços acima do mercado, é ao contrário: nacionalizando, eliminando accionistas e comprando os depósitos e activos bons. Estes depois podem ser postos a leilão para os outros 9,9 mil bancos apanharem. Retira-se a dúvida do mercado, desconcentra-se o sector, deixa-se o mercado resolver o problema da securitização sem levar atrás o sistema e retira-se os efeitos preversos das garantias, sem colocar o contribuinte em frente a um comboio de “passivos implicitos”.

One thought on “A questão é a concentração…!

  1. […] questão é a concentração…! (II) 4 03 2009 No seguimento do post anterior – A questão é a concentração…! – onde argumentei que o sector bancário norte-americano é bastante concentrado com base na […]

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