“It has been said that democracy is the worst form of government except all the others that have been tried.”
Sir Winston Churchill
Eu acho piada que se veja a subida dos partidos de extremo como sinal que é “necessário impor certos limites” ou “não tolerar que um político eleito diga o que pensa”. Ou que a abstenção é “preguicite aguda e praia a mais”. Este tipo de raciocinios é comum, nestas alturas do ano, quando nos aproximamos das eleições.
Lamento, mas não é! É sinal de que as pessoas estão muito descontentes com o Estado de Coisas. O “vulgo” Centrão!
É fácil dizer que a “abstenção é vergonhosa”, que é preciso responsabilizar os vontantes, uma carta de principios, voto obrigatório, pelo meio restringir alguns discursos mais extremistas ou politicamente incorrectos, pois não podemos deixar que o eleitor se “desvie da mensagem que deve ouvir”, enquanto se dirige à urna como está mandatado na lei e nos princípios do eleitor.
A Democracia tem o que se chama em economia “problemas de agência”, i.e., os incentivos de quem governa nem sempre coincidem com os incentivos de quem é governado. (para os mais curiosos, chama-se “problema Principal-Agente”, o Agente delega poderes no Principal para função A, o Principal age em proveito próprio B).
A Democracia é, no limite, um “mercado político”, e há muito que sabemos que problemas de agência destroem mercados. (para os mais economistas, lembrem-se: Limões e carros usados!).
As pessoas estão a votar nos extremos ou a abster-se pois é a única forma que têm de tentar “forçar o sistema”! Os extremos são a resposta do “mercado político” à falta de opções e acções correctivas ao centro. Pelo menos num sistema “proporcional”. Num sistema uninominal, o eleitor tem muito mais poder para conseguir fazer passar a sua mensagem, e reduzir os problemas de agência.
E enquanto não entender-mos isto (que não é a obrigar as pessoas a votar que vamos lá, pois isso é sintoma, não a doença), vamos andar aqui muito tempo, com os extremos a subir! No limite, market failure!