Sebastianismo de Esquerda…

Mário Soares vai-se (re)candidatar à Presidência da República. Já não comentando o principio de “a água do rio só passa por debaixo da ponte uma vez”, com o qual concordo, apenas gostaria de focar um ponto:
O sentido messiânico desta candidatura…
Face à incapacidade de se encontrar um candidato na área politica da esquerda que pudesse constituir um rival à altura de Cavaco Silva, conclui-se a necessidade da candidatura do eterno “Pai da pátria” de novo à presidência.
A razão é simples: é inconcebível a eleição dum presidente de direita, sendo tal facto não só um foco de instabilidade politica para o governo de maioria do PS, como mesmo um foco de instabilidade democrática!

Algo me ultrapassa neste raciocínio… Quem entregou à esquerda portuguesa o Monopólio da Democracia? Não é a direita moderna tão democrática como a esquerda?
Se calhar têm razão, o grau de democracia da direita é diferente do da esquerda. Atrevo-me a dizer superior. Somos mais liberais, e não suportamos a intervenção constante do Estado na esfera privada do cidadão…

A candidatura de Mário Soares expressa também uma faceta constante na sua personalidade: O facto de se ver como um D. Sebastião da Politica Portuguesa, o Messias que nos retirará do fundo, o Sábio, que perante a inabilidade das “crianças” terá de voltar à cena para por ordem na Casa…

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