Wake up call!!

Fernando Nogueira (1995-1996)

Marcelo Rebelo de Sousa (1996-1999)

José Manuel Durão Barroso (1999-2004)

Pedro Santana Lopes (2004-2005)

Luís Marques Mendes (2005-2007)

Luís Filipe Menezes (2007-2008)

Manuela Ferreira Leite (2008-)

Quanto tempo mais vamos ter de ir às urnas e ser humilhados para entendermos a mensagem do eleitorado?!

Quantos mais anos vamos ter de ficar fora do Poder para entender-mos que estamos com um problema, não de lideranças mas de estrutura do partido?!

Quantos mais sinais são precisos para acordar este partido!? Com uma população que não gosta do PM, perdemos. Com umas eleições que não contavam para “cartões amarelos”, e onde a líder não aparecia tanto, passamos de 47 câmaras para apenas 9 municipios de vantagem, incluindo surpresas como Leiria!

Quanto mais tempo vai este partido demorar a entender que o problema é estrutural, endémico, ultrapassa muito a liderança da CPN (já vamos em 7 lideres em 14 anos com resultados semelhantes, fora Durão que todos sabemos como essa história acabou!).

Quanto mais tempos vai este partido demorar a entender que os portugueses se recusam, por muito mal que esteja o país, a votar num partido de puros pragmáticos, que fazem política mas não reflectem política, sem ideologia minimamente definida, um partido que passa a imagem de ser do Poder, pelo Poder e para o Poder?

Antes de começar-mos a afiar as facas para ver quem vai ser o próximo líder, temos de pensar que partido queremos! Auto-reflexão exige-se! Já!

(Publicado originalmente no Psicolaranja)

Refundação…

Este post poderia facilmente chamar-se “A deriva do PSD“. Não é recente. Não me refiro a Manuela Ferreira Leite, a Santana Lopes ou a Luís Filipe Menezes. Esta questão ultrapassa em muito qualquer liderança. É neste momento, endémica ao partido.

Desde 1995, o PSD apenas governou 2 anos e meio. Façam as contas: em 14 anos, desde as maiorias de Cavaco Silva, o PSD esteve fora do Governo mais de 11 anos. Normalmente este é o argumento utilizado para focar um ponto: a estagnação da última década é consequência de sucessivas governações socialistas. Talvez, mas a verdadeira lição a tirar não é essa, mas sim, porque é que o Povo português insiste em não confiar em nós?

Podemos usar os argumentos faceis do costume: “O povo foi estupido ontem”, a politica é à base de “pão e circo” ou “cada povo tem o governo que merece”. Não concordo com alguns companheiros de blog nesta questão: Se a mensagem não passou, a culpa também recai – e muito – no mensageiro. Esta é uma das lições primordiais da comunicação.

Olhemos à nossa direita: o CDS-PP. Tinha uma mensagem, um programa, e tinham também comunicação. Nós ficamo-nos pela mensagem. Mas o problema é ainda mais profundo. Erros de mensagem acontecem… mas não derivam numa década fora do poder. Olhemos bem para os resultados de ontem: iguais a 2005. Dois momentos politicos diferentes, dois estilos de liderança que têm tanto a ver um com o outro como o dia da noite e no entanto… o mesmo resultado!

Ontem, tal como em 2005, tivemos o voto FIEL ao PSD. Aquele que não vota em mais ninguém, sem fazer perguntas. O nosso “nicho”. Mas não chega! E escusamos de começar com a guerra “pois, a culpa é de MFL, se fosse ________________ (inserir nome da vossa preferencia) teríamos ganho”. O problema é “estrutural” e endémico ao partido.

Em primeiro lugar, temos um problema base, de falta de estratégia. Alguém, no PSD, se dignou a perguntar “o que é que o eleitor [o consumidor da ‘social democracia’] quer?”. Sentem-se asfixiados? Bem, a julgar pelo resultado, não. TGV? Sim ou não? Daqui é que se define em que tocar e não tocar. Quando há uma crise, as pessoas não querem um partido de poder a falar dia e noite de como as sondagens são más com 30 por cento de indecisos, a democracia é asfixiada… ah e não somos Espanha. E foi isto que passou!

Mas, mais grave: quando um vendedor não sabe aquilo que está a vender, então como se está à espera que ele convença o comprador?! É que afinal, eu não sou o único a não entender bem o que é isto de “Social Democracia Portuguesa”. Há 15 anos que os portugueses também não percebem muito bem! Quem me conhece, sabe que sempre bati nesta tecla: também no pensamento politico temos de nos refundar. A imagem que damos neste momento é de um partido de poder pelo poder.

Falei aqui e aqui disso. Também no conselho distrital de Lisboa, me atrevi a referir este tópico, a uma semana das eleições Europeias. Tal como na altura, tenho a sensação que ninguém vai entender a necessidade de definir o que somos ao eleitorado. O que defendemos. Que se calhar, não somos “social democratas”, e não temos medo de o assumir. Que temos um projecto para o país! Um projecto que não é de esquerda. Que somos um partido que se caracteriza por, embora não confessional, partilhar valores da Democracia Cristã Europeia,  que congrega Conservadores e Liberais, que defendemos um Estado mais pequeno e menos “dirigista” e somos fiscalmente conservadores. Que em suma, não estamos aqui para o poder pelo poder. Que não nos encobrimos com o manto duma pertença ‘social democracia’ [Para quem não entendeu à primeira: Sociais democratas são o burgo ali ao lado que ganhou as eleições!] porque temos medo que o país não vote no projecto que defendemos para o país!

Temos de parar para pensar. Limpar o partido. Reformar a sua estrutura, pesada demais, e desadequada aos tempos que correm. Definir o nosso “produto”, o nosso “projecto” e depois, no fim, arranjar uma estratégia com pés e cabeça para convencer-mos os eleitores a votarem PPD/PSD.

O PP Espanhol esteve uma década fora do poder até se refundar (com Aznar). O Labour inglês teve o periodo Tatchet/Major, quase 14 anos, até aparecer Blair, e refundar o partido. Blair esse que obrigaria os Touries ingleses ao mesmo: 12 anos sem governar, até entenderam, com Ian Duncan Smith e David Cameron, que o problema não eram os eleitores mas sim eles, que tinham uma mensagem má e mal transmitida! Quanto tempo mais vai o PPD/PSD ter de ficar fora dos corredores de S. Bento, até entendermos que temos de parar para pensar e refundar a direita em Portugal?

(Publicado originalmente no Psicolaranja)

Um momento “opps” da “Mudança”!

Na sexta-feira passada Obama achou por bem aumentar as taxas aduaneiras sobre a importação de pneus fabricados na China de 4 para 35 por cento. No fim de semana, a China achou por bem responder, abrindo um inquérito à importação de galinha e peças automóveis, vindos dos EUA.

Estamos a brincar a um jogo perigoso de “Poker” com comércio mundial! Obama não resolveu nada no que diz respeito aos problemas fundamentais do sistema financeiro norte-americano. O problema dos “bonús” era um “não problema”! Não era, nem é, o fundamental.

Todas as semanas, os EUA emitem dezenas de milhares de milhões de euros em Obrigações do Tesouro, ao ponto de a própria Reserva Federal já ter sido obrigado a comprar algumas dessas obrigações. Os chineses são o maior credor dos EUA! Estão sentados numa bomba de reservas em dólares, dólar esse que continua a descer, devido à politica financeira e monetária dos EUA. A última coisa que a crise precisava era que Obama abrisse uma nova frente de combate, com medidas proteccionistas, de modo a satisfazer os “sindicatos de voto” do Partido Democrata!

Os chineses já há muito que questionavam se deveriam continuar a reciclar reservas em dólares – o que financia os EUA, para os mais desantentos! Já tinham começado a financiar-se em moeda local, o mês passado. Agora uma Guerra Comercial? Para os desatentos… a grande recessão tornou-se na Grande Depressão devido a brincadeiras deste tipo.

Já bastava Obama estar a repetir os erros do Japão na resolução da crise, agora repete os erros de 1929 em relação ao Comercio Internacional?!

(Públicado inicialmente n’O Psicolaranja)

Importa-se de repetir?


“Portugal foi objectivamente dos primeiros países a sair da recessão técnica e isto assinala o início da retoma económica”, declarou a mandatária [Carolina Patrocinio], lendo um papel, no parque municipal de Santa Cruz, que ficou apenas a metade da sua capacidade.

Volto de férias (e da UV2009), e leio isto! Devo ter perdido algum episódio, ou faltei a alguma aula de Economia, mas era capaz de jurar que retoma é coisa que ainda não tivemos. Mas, como eu sou uma pessoa simpática e por vezes ingénua, terei todo o prazer em esclarecer a mandatária da Juventude do PS. Ou melhor, a pessoa que escreveu o “papel” a partir do qual ela retirou a fabulosa frase em questão!

Definição de recessão técnica Instituto Nacional de Estatistica (INE): dois trimestres consecutivos de crescimento negativo do PIB, abaixo dos 0,5 por cento. No último trimestre crescemos 0,3 por cento. Logo, estatisticamente, pela definição, sim, já não estamos em recessão técnica (pelo menos até aos próximos… dois trimestres).

Vamos ignorar o que se passa lá fora – que de recuperação tem pouco – em especial no nosso maior parceiro, Espanha. Vamos ignorar que enquanto não existir uma recuperação sustentada do exterior não se pode falar de “retoma económica” em Portugal. Vamos ser simpáticos e focar-mo-nos só mesmo em Portugal e assumir que tudo vai bem no resto do Mundo.

100 por cento de Dívida Externa! Ou seja, podiamos vender o produto de um ano para pagar as nossas dívidas. Não sobrava nada! Isso paga-se, como é óbvio. A esses pagamentos damos o bonito nome de Serviço da Dívida.

Alguém me sabe dizer quanto é que o Estado Português paga por cada euro que pede emprestado? Não? Cerca de 3 por cento por dívidas a 5 anos ou superiores. Alguém acredita que o resto da Economia se pode endividar a menos do que o Estado Português? É que este último sempre tem um certo monopólio: cobrança de impostos.

Não há nem vai haver retoma económica nos próximos tempos. O pouco que crescemos servir para pagar a dívida externa. Se o total da dívida é 100 por cento, então as contas são faceis de fazer: temos de crescer pelo menos 3 por cento para pagar prestações. Menos que isso empobrecemos!

E aqui reside a resposta à pergunta de muitos portugueses! O “porquê” de, durante a última década, termos supostamente crescido mas um povo inteiro queixa-se que está sempre a empobrecer! Em “economês” é a diferença entre Produto Interno Bruto (PIB) e Rendimento Nacional Bruto (RNB).

As manchetes (e os relatórios do Banco de Portugal, por exemplo) referem-se ao PIB, ou seja, por definição, tudo o que é produzido em território nacional. Mas, como grande parte dessa produção é estrangeira, o pouco que se cresce volta ao país de origem. Para os mais desatentos, Investimento Directo Estrangeiro (IDE) também é uma forma de dívida que paga dividendos ao exterior. Se a Microsoft investe em Portugal, no final do ano, repatria os lucros de novo para a sede nos EUA (e aqui reside a razão pela qual nunca gostei da “paixão” nacional pelo IDE).

É aqui que entra o RNB: é tudo o que fica em Portugal! É o rendimento que fica depois de paga a dívida externa, ou os dividendos ao exterior pelo investimento. E esse meus caros psico-leitores, não cresce há quase uma década! E não vai voltar a crescer tão cedo, dado que Portugal está sentado numa montanha de dívida sem tecido produtivo de valor acrescentado! Portugal é hoje, de uma forma simplificada, um castelo de cartas económico…

(Originalmente publicado no Psicolaranja)

Obama e o Médio Oriente

Bom discurso ontem!

Obama tem esta vantagem: é capaz de mostrar a cara mais moderada dos EUA, e tem um “charme político” sem rival. Agora, vamos ver como converte as palavras em “policy”.

Sim, porque não nos vamos esquecer da história. A “Doutrina Bush” não foi inovadora, era apenas a recuperar do “corolário [Theo] Roosevelt da Doutrina Moore” – o conceito de capacidade preventiva de ataque para preservar a segurança nacional dos EUA. É um conceito velho na política externa norte-americano.

Agora, a real politik [peço desculpa aos idealistas, deste lado fala um “realista”]:
Este discurso não resolve 2 problemas… ou melhor, 2 faces de um problema.

Irão – A potência regional que não está a jogar para ser amigo dos EUA. Está a jogar para dominar a região. E tem de ser contido! Um Irão nuclear não é um contrabalanço “racional” a um Estado de Israel nuclear. É o desequilíbrio total num barril de pólvora.

Israel – É preciso entender a doutrina das Forças de Defesa de Israel. Garantir a todo o custo a sobrevivência do Estado de Israel – em especial contra um país que já declarou várias vezes que não reconhece esse direito ao estado judeu. Por todos os meios possíveis! No dia em que eles se virem amarrados contra um Irão quase Nuclear, eles vão tentar bloquear isso, isolados se for preciso. M.A.D., mutual assured distruction, não funciona como inibidor de conflito Irão-Israel, pela simples assimetria das capacidade de reconstrução de cada um dos lados – inexistente no caso de Israel. (Mas isso os autores do The Westphalian Post,  saberão explicar dez vezes melhor que eu).

Palavras são bonitas, mas é preciso converte-las em acções que mostrem seguimento. É um pouco como o Eixo Coreia do Norte-Coreia do Sul-Japão.

A Coreia do Norte anda cada vez mais beligerante a testar armas com cada vez mais potência. A Coreia do Sul junta-se ao acordo de não proliferação atómica que o Norte vê como “acto de Guerra”. O Japão cada vez mais desconfortável pensa seriamente abolir a sua constituição pacifista e rearmar-se face à ameaça. A China ve-se na desconfortável posição de principal apoiante da Coreia do Norte, mas compreensiva perante os receios sul coreanos e japoneses, seus parceiros comerciais.

Uns EUA ausentes – ou com meros discursos bonitos – terão como efeito que a região tomará para as suas próprias mãos a resolução do conflito… com todo o “fel histórico” de séculos de conflito que vem com isso.

Um pouco menos de idealismo e um pouco mais de realismo precisa-se nas relações internacionais!

Democracia, abstenção e problemas de agência

“It has been said that democracy is the worst form of government except all the others that have been tried.”

Sir Winston Churchill

Eu acho piada que se veja a subida dos partidos de extremo como sinal que é “necessário impor certos limites” ou “não tolerar que um político eleito diga o que pensa”. Ou que a abstenção é “preguicite aguda e praia a mais”. Este tipo de raciocinios é comum, nestas alturas do ano, quando nos aproximamos das eleições.

Lamento, mas não é! É sinal de que as pessoas estão muito descontentes com o Estado de Coisas. O “vulgo” Centrão!

É fácil dizer que a “abstenção é vergonhosa”, que é preciso responsabilizar os vontantes, uma carta de principios, voto obrigatório, pelo meio restringir alguns discursos mais extremistas ou politicamente incorrectos, pois não podemos deixar que o eleitor se “desvie da mensagem que deve ouvir”, enquanto se dirige à urna como está mandatado na lei e nos princípios do eleitor.

A Democracia tem o que se chama em economia “problemas de agência”, i.e., os incentivos de quem governa nem sempre coincidem com os incentivos de quem é governado. (para os mais curiosos, chama-se “problema Principal-Agente”, o Agente delega poderes no Principal para função A, o Principal age em proveito próprio B).

A Democracia é, no limite, um “mercado político”, e há muito que sabemos que problemas de agência destroem mercados. (para os mais economistas, lembrem-se: Limões e carros usados!).

As pessoas estão a votar nos extremos ou a abster-se pois é a única forma que têm de tentar “forçar o sistema”! Os extremos são a resposta do “mercado político” à falta de opções e acções correctivas ao centro. Pelo menos num sistema “proporcional”. Num sistema uninominal, o eleitor tem muito mais poder para conseguir fazer passar a sua mensagem, e reduzir os problemas de agência.

E enquanto não entender-mos isto (que não é a obrigar as pessoas a votar que vamos lá, pois isso é sintoma, não a doença), vamos andar aqui muito tempo, com os extremos a subir! No limite, market failure!